José Neto, técnico do Flamengo, diz: 'Não me vejo fora daqui'






José Neto  (Foto: Fabio Leme)

Em apenas dois anos à frente do Flamengo, José Neto já pode dizer que escreveu seu nome na história do clube, afinal de contas, no último sábado, o treinador conduziu de maneira inédita os rubro-negros à conquista do troféu mais importante do basquete no continente sul-americano. Entre os cinco torneios disputados nesta passagem pela Gávea, Neto levou seus comandados a venceram quatro: dois cariocas, um brasileiro e uma Liga das Américas, que a equipe jamais havia chegado entre as quatro melhores nas cinco edições em que participou.

Para fechar com chave de ouro, o paulista com coração carioca ainda pode se dar ao luxo de fechar a temporada com mais um caneco, o de bicampeão consecutivo do NBB, que seria o terceiro do Flamengo na competição. Se alcançar este feito, igualará a marca de Paulo Chupeta, que, em 2009, conquistou a tríplice coroa, com os títulos estadual, brasileiro e da Liga Sul-Americana, segundo torneio mais importante da América Latina. 

Não satisfeito em ser um dos pilares do clube carioca, Neto também faz parte da comissão técnica da seleção brasileira desde 2004, onde, hoje, ocupa o cargo de assistente imediato do argentino Rúben Magnano. A pretensão de deixar de ser o coadjuvante para se tornar o ator principal existe, mas o técnico, de 43 anos, garante não ser esta a sua prioridade de momento.

- Se eu não sonhar com isso, eu posso parar agora, ir para casa. Claro que quero ser técnico da seleção brasileira. A gente tem nossas pretensões, e eu sempre falo isso para o time: "Nós sempre temos nossas pretensões, mas temos que saber quais são nossas prioridades". Nossas prioridades estão sempre acima das nossas pretensões. Hoje, minha prioridade é ajudar o Flamengo a chegar no mais alto possível e o Rúben (Magnano) como assistente, que é minha função e tenho muito orgulho dela. Quero continuar no clube. É o lance das pretensões, não me vejo fora daqui, não imagino isso. Não passa pela minha cabeça sair do Flamengo, ainda mais agora. Espero dirigir a seleção um dia, torço para que isso aconteça. No dia que aparecer esta oportunidade, eu quero estar preparado.

O fato de seu contrato está se encerrando no fim desta temporada do NBB, assim como a maioria dos jogadores (Marcelinho, Marquinhos e Cristiano Felício são as exceções), parece não preocupar o técnico rubro-negro. Consciente de seu trabalho, Neto prefere pensar no presente, mas não esconde o desejo pela permanência.

- Gosto de trabalhar muito e falo para os jogadores que temos que fazer o melhor que a gente pode, fazer tudo aquilo que nós podemos fazer e estamos fazendo. As outras coisas que a gente quer não dependem da gente (risos). Não podemos ficar tão preocupados além daquilo que temos que fazer. E o que temos que fazer? Continuar ganhando. Quem tiver o poder da decisão que decida e torço muito que decida para que a gente continue junto.

Mesmo vivendo o momento mais sólido e exponencial de sua carreira, José Neto não deixa cogita cair na rotina e relaxar. Perfeccionista e sedento pelo próximo título, o treinador relembra o início da sua trajetória e admite que ela pode incentivar na chegada de mais profissionais para o basquete brasileiro. 

- Isso é uma coisa que eu gosto de falar, pois pode incentivar outras pessoas. Trabalhei com todas as categorias. Estava na faculdade, no meu último ano na USP, e comecei a trabalhar na escolinha do Paulistano. Fiquei 16 anos lá. Fui passando por todas as categorias de base até chegar ao adulto. Em 2004, fui para a seleção brasileira, onde fui assistente do Lula (Ferreira), depois do Moncho (Monsalve) e agora com o Rúben (Magnano). Também foram dois mundiais sub-19. Essa experiência de competição internacional acrescenta demais, pois podemos ver o que o mundo faz - disse.

E a volta ao NBB acontece nesta quinta-feira. Vindos de uma derrota para o Macaé, José Neto vai tentar levar o Flamengo a terceira vitória sobre o Uberlândia nesta temporada, que o deixaria a um resultado positivo da primeira colocação geral. O duelo será disputado no Ginásio do Tijuca, às 20h.


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