Gringos chegam ao Flamengo, e argentino diz: ‘O Boca ficará de lado’







Os sotaques são diferentes, mas os objetivos, os mesmos. Apresentados oficialmente pelo Flamengo, o armador argentino Nicolás Laprovittola e o pivô americano Jerome Meyinsse chegaram com discurso alinhado na sede do clube, na Gávea. Considerados pela diretoria como reforços de peso na busca pelos títulos da próxima temporada, eles se dizem prontos para encarar a responsabilidade de jogar pelo atual campeão do Novo Basquete Brasil (NBB). Laprovittola, inclusive, topou virar a casaca e deixar seu time do coração de lado durante sua passagem pelo Rio de Janeiro.

- Pelo que sei o Flamengo é a equipe mais conhecida do Brasil. Não só no futebol, como no basquete também. Na verdade, quando me procuraram, não tive dúvidas. Estou muito feliz de estar aqui. Agora sou torcedor número 1 do Flamengo. O Boca, que é o meu amor na Argentina, ficará um pouco de lado – disse Laprovittola, que defendeu a seleção argentina no último fim de semana, na vitória contra o Brasil.

Jerome Meyinsse Nicolás Laprovittola flamengo basquete (Foto: Alexandre Vidal/Fla Imagem)

Apesar de ser americano, Jerome Meyinsse arranha e entende bem o espanhol. Na última temporada atuou pelo Regatas, da Argentina, com média de 12,9 pontos por jogo e 25,6 minutos por partida. Ele já defendeu o Trotamundos, da Venezuela, e participou do Draft de 2010 da NBA pela Universidade de Virginia, mas não foi escolhido. Ele chega com o desafio de substituir Caio Torres, MVP das finais do último NBB que trocou o Rubro-Negro pelo São José.

Com semblante tranquilo e voz baixa, ele reconhece que joga de uma forma diferente do ex-dono do garrafão rubro-negro. Mas também se sente seguro o suficiente para assumir a posição. (confira a entrevista com Jerome Meyinsse)

- Vai ser um desafio. Esse time foi campeão no ano passado com o MVP da final jogando na minha posição. Jogamos de formas diferentes. Mas vou fazer de tudo que puder para ajudar o time a ganhar de novo. Vou dar toda a minha energia.

Meyinsse e Laprovittola são velhos conhecidos. Eles se enfrentaram recentemente pela Liga Argentina e mostraram entrosamento na coletiva de imprensa. Ambos confessaram que receberam conselhos e dicas positivas de argentinos que passaram anteriormente pela Gávea, como Federico Kammerichs. Entretanto, consideram o estilo de jogo no Brasil distinto do que se joga no país vizinho.

- Acho que no Brasil se joga mais rápido do que na Argentina. Mas não é muito diferente do que se joga nos Estados Unidos. Não vai demorar muito para que eu consiga me ajustar ao estilo de jogo – analisou o pivô americano.

Jerome Meyinsse e Nicolás Laprovittola Flamengo Basquete (Foto: Alexandre Vidal / Flaimagem)

Outro reforço rubro-negro na temporada é o pivô Cristiano Felício. Revelado pelo Minas Tênis Clube, ele disputou os Jogos Pan-Americanos de 2011 pelo Brasil, em Guadalajara, no México, e no ano passado decidiu rumar para os Estados Unidos, mas uma pendência com seu clube de origem mudou seus planos. O Flamengo, no entanto, afirma que já iniciou o processo de liberação do atleta junto aos dirigentes do clube mineiro.

A intenção do Flamengo era apresentar nesta semana todo o seu elenco para a temporada. No entanto, três atletas da equipe (Marquinhos, Benite e Cristiano Felício) e o técnico José Neto não foram liberados pela seleção brasileira, que se prepara para a disputa da Copa América. A negativa da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) incomodou o vice-presidente de esportes olímpicos rubro-negro, Alexandre Póvoa, que pediu a palavra ao fim da coletiva para expressar sua insatisfação.

- Queríamos apresentar todo o elenco. Infelizmente, a CBB não liberou os jogadores que estão na seleção. Eles tem os salários pagos pelo Flamengo, que a CBB, como toda a seleção, não contribuiu. Entramos em contato com a seleção, demos a opção de escolher dia e hora, mas não deixaram. O Flamengo hoje é campeão do NBB, líder da LDB. Esse pedido (de liberação) também foi feito pelo Bauru. Nas últimas Olimpíadas, a Argentina teve um ouro, um bronze e um quarto lugar. Além de um vice mundial. A Federação Argentina liberou o nosso armador, que está aqui, sendo apresentado. Mas a CBB não pode. Tenho uma admiração grande pelo Ruben Magnano, que faz um excelente trabalho, mas os clubes que fazem o basquete brasileiro, que caiu tanto nos últimos anos, não podem passar por isso. O Flamengo colocou 17 mil pessoas na final do NBB. Se tivessem 30 mil lugares, colocaria 30 mil. Ontem no Brasil e Argentina pelo Super 4, se tinham mil pessoas era muito. Está na hora da gente começar a olhar para o basquete brasileiro com mais carinho. Respeitar mais os clubes que fazem esse basquete – disse o vice de esportes olímpicos.

Por Amanda Kestelman Rio de Janeiro

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