Neto afasta clima de revanche contra São José







Quando decidiu abandonar os treinos no Corinthians para se dedicar exclusivamente às aulas de educação física, na USP, José Neto sabia que estava colocando um ponto final na sua curta e "medíocre", como ele mesmo define, trajetória como jogador de basquete. O que seria uma baita frustração na vida de qualquer adolescente de 17 anos se transformou numa oportunidade única para um jovem nascido em Itapetininga, pequeno munícipio do interior de São Paulo. A escolha acabou sendo mais do que acertada, e, vinte e cindo anos depois, o ex-coroinha e ex-vocalista de uma banda de rock chamada Filhos da Pauta, nos anos 80, espera levar o Flamengo à sua terceira decisão de NBB, sua primeira como treinador.

O último obstáculo até a grande final do dia 1º de junho, no entanto, será o São José, algoz rubro-negro nas semifinais da temporada passada e dos tricampeões Brasília nas quartas de final. Alheio ao sentimento de vingança que alimenta o torcedor carioca, Neto sabe que uma vitória nesta terça-feira, às 19h, no ginásio Lineu de Moura, em São José dos Campos (SP), será um passo importante para a final.

- São José tem um grande time e uma história no basquete brasileiro que não pode ser menosprezada. É uma cidade que gosta e entende de basquete e não é à toa que o ginásio deles está sempre lotado. É sempre difícil enfrentar uma equipe assim. Temos que deixar essa história de revanche para o torcedor, até porque nossa equipe é completamente diferente da temporada passada e as caminhadas dos dois times nesse NBB também foram bem distintas. Sabemos que será uma tarefa complicada, mas estamos preparados e vamos em busca da primeira vitória fora de casa - afirmou o treinador rubro-negro.

Temos que deixar essa história de revanche para o torcedor, até porque nossa equipe é completamente diferente da temporada passada"
José Neto

Embora o clube da Gávea tenha perdido o ala Marcelinho, logo na estreia da competição, os problemas de lesão não atrapalharam tanto o trabalho do técnico José Neto como fizeram com Régis Marrelli. O resultado pôde ser visto na tabela da fase de classificação. Enquanto os rubro-negros terminaram em primeiro lugar com apenas quatro derrotas e a melhor campanha do NBB, o time paulista perdeu 14 vezes e ficou na sétima colocação.

- Eles tiveram uma temporada complicada com várias lesões e por isso acabaram pegando duas séries muito difíceis contra Minas e Brasília. Contra o time mineiro, inclusive, eles tiveram perto de perder o segundo jogo também e ficar numa situação delicada. Mas agora é outro campeonato e sabemos que eles entram nas semifinais com muito moral por terem eliminado os atuais tricampeões. É um time versátil, com muitas variações e que se conhece há bastante tempo. Justamente o que estamos buscando aqui no Flamengo - analisou Neto.

Apesar de ter nascido em Itapetininga, José Neto admira o Flamengo de longa data, graças a diferentes influências. A primeira é Zico. Mas o que encantava mesmo o então adolescente paulista que sonhava apenas cursar a faculdade de educação física nos anos 80 era o comprometimento de milhões de torcedores com as cores vermelho e preta.

- Eu acompanho futebol e até gosto, mas nunca fui um torcedor fanático. Mas sempre gostei do Flamengo. Muito em razão daquele timaço que tinha Zico e Nunes, mas acho que mais pela torcida rubro-negra. É impressionante o comprometimento que eles têm com o clube, independentemente do esporte. Naquela época eu jamais poderia imaginar que um dia fosse vestir a camisa do Flamengo, mas hoje eu sinto a energia que os torcedores passam em cada jogo. Eles têm sido fundamentais na nossa caminhada. É diferente - revelou Neto.

Neto brinca com o filho Mateus na piscina (Foto: Danielle Rocha)

O dia a dia do comandante rubro-negro tem sido tão corrido que ele pouco conseguiu conhecer da Cidade Maravilhosa. As visitas ao Corcovado e ao Pão de Açúcar ficaram para depois e terão que esperar até o fim do campeonato. Enquanto isso, José Neto tenta aproveitar as poucas horas vagas que tem Com os filhos Luiza e Mateus.

- Eu estou adorando o Rio de Janeiro, embora não tenha tido tempo de conhecer muita coisa. Sabia que precisava me dedicar ao máximo aos treinamentos no começo do trabalho para que tivéssemos o sucesso que estamos tendo. Vou deixar para aproveitar depois do NBB. Nas poucas folgas que tenho procuro ir à praia com as crianças e ficar o máximo de tempo que posso com eles. Ficamos tanto tempo longe de casa que eles sentem muito a minha falta. Tento compensá-los o quanto eu posso - completou Neto.


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