Kojo curte sucesso em solo diferente







A primeira bola que Kojo ganhou na vida não tinha gomos de cor laranja. Na esperança de que o filho seguisse seus passos dentro nos gramados, Kofi Mensah providenciou uma bola de futebol. Em vão. O herdeiro tinha mais habilidade com as mãos do que com os pés. Preferiu o basquete. Se em meados dos anos 80 cabia ao pai armar jogadas para a seleção de Gana nos gramados, em quadra Kojo assumiu a mesma função. Aos 28 anos, o armador do Flamengo vem experimentando uma sensação que só conhecia de ouvir os parentes comentarem. Ser empurrado e reconhecido por uma torcida de futebol tem sido um combustível extra. E só o faz pensar em retribuir tanta paixão com o troféu do NBB. Nesta quinta-feira, a equipe poderá dar mais um passo em direção a ele se passar pelo São José. O jogo 4 da melhor de cinco será disputado às 19h, no ginásio Lineu de Moura, em São José dos Campos.


Basquete Flamengo Shilton e Kojo (Foto: Danielle Rocha)

- Falo para todo mundo que aqui é diferente de todos os lugares em que já joguei (defendeu Joinville e times da Colômbia, Venzuela e República Dominicana). Em qualquer lugar que eu vá, tem sempre alguém que me olha e mostra o escudo do clube, levanta a camisa para mostrar uma tatuagem que tem relação com o clube. Falam que Flamengo é Flamengo. Não tem nada igual. A energia dos torcedores ajuda muito e torna mais fácil o jogo. Eu me sinto muito bem com isso. E sei que estamos a duas vitórias da possibilidade de levarmos o nome desse grande clube ao topo. Temos uma chance grande e seria perfeito - disse Kojo durante um treino na semana do jogo 4. 

Desde que chegou, Kojo aprendeu que vestir a camisa rubro-negra exige responsabilidade. Aprendeu também que uma embaixadinha ou outra é pouco para fazer parte da pelada dos exigentes companheiros de equipe. Nelas, prefere se arriscar como goleiro. Mas ainda assim não convence. Shilton o considera "o pior estrangeiro que já passou pelo país" quando o assunto é futebol. Por conta disso, o armericano com cidadania ganesa costuma a ser sempre um dos últimos a serem escolhidos.  

- Não tinha muito futebol em Nova York, era mais basquete, beisebol e futebol americano. Mas eu jogo de goleiro (risos). Vi uns vídeos do meu pai e ele sim jogava bem. Hoje, com 61 anos, tem lojas de roupas no Brooklyn, onde nasci. Meu tio continua em Gana, como técnico de futebol. Por lá, jogadores de futebol têm grande prestígio e nossa seleção joga bem. Tem que ter respeito, Shilton - conta Kojo, sorridente.

São José Flamengo NBB Fúlvio Kojo (Foto: Claudio Capucho/PMSJC) Kojo marca Fúlvio (Foto: Claudio Capucho/PMSJC)

O respeito que "pede" a Shilton é o mesmo que Kojo aprendeu a ter pelo Flamengo. Lamenta ainda não ter podido ir a um jogo dos comandados de Jorginho. Gostaria de assistir aos confrontos contra São Paulo e Santos. Queria ver Neymar em ação. Mas fã mesmo é de Lucas, do Paris Saint-Germain. Com pinta de boleiro e chamado por Shilton de Toró, Kojo também carrega gosto musical parecido com os craques dos gramados. Ouve pagode, arranha a coreografia da sertaneja "Camaro Amarelo" e se arrisca cantando "Passinho do Volante (Ah Lelek, lek, lek, lek)" e os sucessos de Naldo e MC Koringa. Contra o São José, outra vez, a trilha sonora do vestiário do Flamengo terá funk.  

- Ajuda a entrar no clima da partida. Todo mundo gosta. Acho que precisamos ter a mesma mentalidade e o mesmo ritmo que mostramos nos últimos dois jogos. No primeiro, não foi assim. Temos que jogar um basquete agressivo para fechar a série. É o que queremos. Mas, se não conseguirmos, ainda podemos voltar para a Arena e decidir em casa.


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